Obras no prédio?

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A vida de todo tradutor é governada por três distintas damas.
A Dona Procrastinação, que nos seduz pela curiosidade, ponto fraco (e forte!) da profissão, e que faz com que a gente se perca pelos subterrâneos da internet, seguindo o fio que vai nos levar àquela palavrinha especial, a encontrar a tradução perfeita para uma expressão ou nos fazer desvendar, por fim, o enigma daquele termo tão específico, mas não sem antes passar pelo Facebook, blogs preferidos, sites de notícias e… bem, você já conhece a história.
A Tia Dédi*, parente rígida e sempre presente, que fica observando o seu trabalho por cima do seu ombro, qual papagaio de pirata, e batendo o pezinho enquanto você se deixa levar pelos encantos da Dona Procrastinação, mas que jamais, jamais vai estender o seu prazo, mesmo que você esperneie.
E finalmente, a indefectível senhora que frequenta todas as festas mesmo sem ter sido convidada a nenhuma delas, a dama nada glamorosa conhecida como Lady Murphy*, que decreta que tudo o que tem a mínima possibilidade de dar errado, dará.
Quando as três distintas damas se encontram, caro profissional, a encrenca é certa.
Na última visita que me fizeram, tomaram o chá da tarde e me deixaram de presente uma obra no prédio, daquelas de derrubar paredes e fazer vibrar todas as superfícies verticais e horizontais, como se fosse a reverberação de uma batida funk dentro de um fusca.
Impossível trabalhar em casa.
E o que fazer, já que a casa de um tradutor é o seu escritório, em 99% dos casos?
Como lidar com a perturbação constante de uma obra, fora ou dentro de casa, e conseguir continuar com a produtividade em bom nível, cumprir prazos e não enlouquecer?
Essa situação se apresentou para mim ontem, e ao falar com o vizinho responsável pela obra, fui informada que ela durará seis meses e a fase mais crítica, de demolição, uma semana!
Para passar o período mais crítico, pensei em algumas soluções, umas mais simples e outras mais radicais, que podem servir para o meu problema, mas também para o seu, já que obras são bem democráticas.
  • • Descobrir os horários nos quais a obra está parada e intensificar o trabalho neles: geralmente as obras começam a partir das 8:00 e vão até às 5:00, com  um intervalo de uma hora para o almoço. Pelo menos é assim em condomínios, nos quais o regimento determina esse horário ou um parecido com esse. Vale acordar mais cedo e se concentrar para fazer esse período render, deslocar o almoço e aproveitar logo depois do término da obra, mesmo tendo que rearranjar compromissos e afazeres domésticos, que podem ser encaixados nos horários em que a obra funciona.
  • • Troque de cômodo: às vezes o barulho da obra perturba mais em um lugar da casa do que em outro. Se você tem seu escritório já montado, talvez valha a pena desmontá-lo por um tempo e deslocá-lo para outro lugar menos barulhento dentro da própria casa.
  • • Vá trabalhar no salão de festas: essa sugestão me foi dada pelo próprio dono da obra, que ao ouvir meu problema, lembrou que a obra é no 10º andar, e o salão, com mesas e cadeiras, sofá, geladeira e bem simpático, além de não ser usado durante a semana, pode se transformar num bom escritório.
  • • Trabalhe na casa de um parente ou amigo: você tem algum parente ou amigo que está viajando ou trabalha longe e volta tarde? Converse com ele e negocie uma estadia do tipo “escritório”, você usa a casa enquanto a pessoa está fora. É aconselhável que seja uma pessoa com a qual você tenha intimidade, já que esse é um grande favor. Vale trabalhar na casa dos pais ou parentes com a presença deles, desde que você saiba que não vai atrapalhá-los e nem eles a você.
  • • Explore as bibliotecas e casas culturais da região. Lembrando da época em que eu estudava para o vestibular numa biblioteca de uma associação cultural (porque na minha casa a bagunça era geral, com direito a entra e sai contínuo) pensei em procurar e aplicar a mesma situação por aqui, Achei uma biblioteca pertinho de casa, coisa que não teria descoberto sem a “ajuda” da obra.
  • • Há ainda as opções dos cafés com wi-fi como lugar de trabalho, opção cada vez mais difundida.
  • • Se nenhuma das ideias acima funcionar, tente um espaço de coworking. Lembrando de uma colega que optou por trabalhar assim, fui procurar e descobri que tem um aqui pertinho de casa.
Na próxima semana vou testar algumas dessas opções de trabalho “fora da casinha” e volto aqui para contar como foi a minha experiência com elas.
Buon lavoro!
* Tia Dédi: Apelido carinhoso de Deadline, o prazo final. O mesmo vale para Lady Murphy, ou Lei de Murphy.
ROSELI D. DOS SANTOS
Tradutora de italiano e mãe do Pedrix. Formada em Biologia e pós-graduada em Letras, acredita que deve  haver vida além dos livros. Tem fama de cabeça-dura e coração mole, um DNA feito de letras e muita cafeína na corrente sanguínea.
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