Quando a justiça depende do intérprete!

Interpretando para um Ministro do Supremo Tribunal Federal

justica cega

Cada vez que um cliente me confia a interpretação simultânea de seu evento penso na enorme responsabilidade que o intérprete assume, de traduzir para inglês ou português, no meu caso, o que estiver sendo dito pelo palestrante em questão. Essa responsabilidade se fez muito mais presente quando um cliente para o qual faço trabalhos de tradução há mais de oito anos solicitou que assumisse a cabine de interpretação, juntamente com um colega de minha confiança, para fazer a tradução simultânea de uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal. Eu, falar/traduzir para um Ministro do Supremo! Como se tratava de apresentação dos argumentos a favor e contra o assunto da audiência, meu cliente julgou que eu já tinha acumulado um vasto vocabulário e entendimento sobre o assunto a ser tratado e defendido, naturalmente. Mas continuava a me perguntar: Eu? Falar para um Ministro? Uma pessoa de vastíssimos conhecimentos?

Então lembrei-me que o Ministro e quem mais fosse ouvir a interpretação das falas em inglês tinham muito conhecimento de leis, mas não do assunto a ser exposto durante a audiência, dos fatos pertinentes a cada uma das partes.

Meu cliente era uma destas partes que iriam se manifestar na audiência que, ainda por cima, iria ser televisionada para todo o Brasil. A outra parte contratou outro par de intérpretes, naturalmente.

O dia anterior à audiência foi de reuniões de preparação, de consultas aos expositores sobre vocabulário, ajustes nas apresentações, e na revisão de conceitos. Neste e em outros aspectos, este cliente foi aquele com que todos sonhamos: Interagia conosco e apoiava nosso trabalho.

No dia da audiência, meu companheiro de cabine agiu, como esperado, com total profissionalismo. Ele é realmente um excelente intérprete. Participativo, trabalhamos em perfeita sintonia durante o dia de audiência, por vezes saindo da cabine para dar o lugar ao outro par de intérpretes, coincidentemente, conhecidos nossos. Então foi assim que me vi interpretando para um Ministro do Supremo Tribunal Federal, em Brasília.

Denise Lopes Rodrigues

Tradutora Pública e Intérprete Comercial
JUCEG No. 09

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